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27/07/2018

Qual a relação entre endometriose e imunidade?

Diversos estudos sinalizam a existência de uma relação entre endometriose e imunidade. Apesar das evidências, no entanto, ainda não há comprovação que nos permite cravar que essa é uma condição autoimune.

Neste post, nós explicamos a você tudo o que já se sabe – e também o que se suspeita – sobre esse tema. Embora nosso intuito seja o de divulgar informação, lembre-se de que nada substitui a consulta presencial com seu médico. Continue a leitura!

O que é a endometriose?

Para começar, vamos recapitular o que é endometriose. Trata-se de uma condição que acomete mulheres em idade fértil, inclusive adolescentes, e se manifesta quando fragmentos do tecido endometrial, que deveriam ser eliminados durante a menstruação, acabam migrando para outras partes do corpo.

Mediante a ação dos hormônios menstruais, podem ocorrer sangramentos nos órgãos e estruturas acometidos. Embora os focos sejam mais comuns na região pélvica, também podem migrar para pulmão e até mesmo o nervo ciático, além de intestino e bexiga.

Uma das grandes dificuldades para o diagnóstico da doença é a inexistência de sintomas específicos. Algumas mulheres conseguem manter a sua rotina praticamente inalterada, devido a não manifestações de sinais, enquanto outras chegam a ser acometidas por uma situação incapacitante.

Por que a endometriose pode estar associada a imunidade?

Diante dessa dificuldade, que acaba retardando a confirmação do diagnóstico, muitos pesquisadores se debruçam em estudar os fatores que podem favorecer o aparecimento da doença, incluindo o sistema imunológico.

Essa desconfiança da associação entre endometriose e imunidade se acentuou por conta da chamada menstruação retrógrada, que ocorre quando o sangue da menstruação, que contém células do endométrio, volta para a cavidade pélvica por meio das trompas de Falópio ou tubas uterinas.

Causou estranhamento o fato de que essas células não sejam identificadas como invasoras pelo sistema imunológico, que deveria, em condições normais, desencadear um processo de reação para expulsá-las dali.

Deficiências imunológicas permitiriam, portanto, a proliferação dos focos de endometriose, cujas reações inflamatórias e o desiquilíbrio hormonal seriam elementos decisivos para o agravamento dessa anomalia.

O que se descobriu, de fato?

Nesse contexto, alguns estudos identificaram alguns componentes genéticos em mulheres portadoras de endometriose que são semelhantes aos indicadores de doenças autoimunes, como o Lúpus.

Assim, há quem acredite que as portadoras de endometriose consigam produzir autoanticorpos, somados ao funcionamento anormal de linfócitos T e B e o agravamento da liberação de substâncias inflamatórias.

Sabe-se, no entanto, que a presença de tais anticorpos também é comum em outras situações, decorrentes de um câncer ou de lesões em tecidos, por exemplo. Em resumo, não se sabe se essa é uma reação natural do organismo ou uma das etapas da evolução da doença.

Com base nesse cenário, é bastante precoce tomar qualquer posicionamento como definitivo. O ideal é aguardar novas comprovações científicas para que, só então, possamos classificar a endometriose como uma condição autoimune e, assim, possamos repensar o tratamento e o diagnóstico.

De todo modo, a atuação da comunidade científica é essencial para que consigamos desvendar a endometriose, e dessa maneira, avançar na qualidade do tratamento oferecido a todas as pacientes. Fica a nossa torcida pela ciência!

Enquanto a associação entre endometriose e imunidade ainda é discutida, fica a torcida para que a anomalia passe a ser reconhecida como doença social.

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